Publicado por: Niege Neves | 14/09/2010

A realidade inventada

Sempre me perguntam por qual motivo leio tantos romances. Os romances são uma compulsão.
Continuo incessantemente linhas após linhas…sem párar.
Movida por um encanto.
Todos os desejos e sonhos estão ali naquelas linhas.
Ao meu alcance:
Um amor verdadeiro e inabalável.
O trabalho perfeito.
Amigos fiéis.
A família de propaganda de margarina.
A alegria verdadeira.
A justiça prevalecendo.

Como é bom mergulhar neste universo.
Por uns dias aquele personagem torna a vida mais colorida, mesmo diante dos dramas traçados.
Me sinto viva, otimista e encantada.

Espero por um momento diferente e incrivelmente igual.
Igual por que já tenho todos os fins antes de terminar…sem surpresas,
mas com uma certeza absoluta. A certeza de que tudo ficará bem.
Tudo pode até ser clichê. Com toda a permissão das ilusões conscientes.

O que vejo no mundo fora dos livros? Nada de certezas…muitas dúvidas, injustiças e poucos felizes de verdade.
Vejo também verdade. Alguns momentos até parece uma verdade inventada, sublime e rara.
Lamento ser raro esses momentos. Não tanto, quando observo ser a raridade a sua real virtude.
Isso acontece desde os meus 7 anos. Entro num universo paralelo e me recuso a sair.
Talvez seja esse motivo para continuar me recusando a amadurecer em alguns sentidos, como todos costumam tanto sugerir.

Tenho certeza que minha estimada mestre dos tempos de discussões políticas, de que sempre nutrir uma espécie de idolatria, não me reconheceria ao ler essas palavras.
Parece tão pouco com a imagem que sempre fiz questão de reforçar. Sempre fui a REALISTA.

Admito. Gosto desta bolha imaginária. Gosto das emoções oriundas dos romances das páginas açucaradas.
Este o segredo que só agora me permito falar abertamente.
Muitos dirão que se trata de fuga…mas asseguro que é a melhor da fugas. É uma vida em muitas vidas.
Eis a minha fuga prazerosa e sem riscos*.

Sim, nada como um belo livro para tornar a vida mais amável as nossas vontades. A fantasia sempre se renovará. Facilmente sigo em busca de um novo livro.

 

Publicado por: Niege Neves | 13/05/2010

Mudanças

Engraçado como as mudanças internas acontecem e se quer percebemos. Principalmente quando a dita “alteração” representa muito do que se viveu até então. Algumas horas atrás tudo era urgente, imperdoável, insubstituível, impraticável e incompreensivo.

É como se um dos véus que colocamos para negar certas verdades fosse retirado. E enxergássemos então, nossa dose de egoísmo, vaidade e covardia perante as dificuldades. Sim, covardia. Sempre detestei essa característica.

Reconhecer e compreender especialmente as nossas limitações “temporárias” é um grande divisor que talvez não resolva nossos problemas, mas torna mais suportável conviver com eles. Digo que são temporárias, pois quando resolvemos ser sinceros conosco enxergamos. Acredito que visualizar nossas limitações, seja o primeiro passo para promover certas mudanças.  Não é uma tarefa fácil. É preciso se vigiar, elencar várias vezes as razões necessárias para as mudanças e querer. Obstinadamente.

Esse esconde-esconde que praticamos inconscientemente ou não, privam-nos de conhecermos aos demais e a si próprio. O pior é que as mudanças não chegam por que inteligentemente nos adiantamos da queda. Elas só chegam quando caímos.

Publicado por: Niege Neves | 14/04/2010

O PAULISTA

Escrever sobre o paulista é sempre uma tarefa díficil.
Etâ pessoa desconfiada, crítica e admirável.
A desconfiança é tanta que para você conhecer um
sorriso  desse moço ou um pouco mais do que
 a casca que ele põe,  é uma trabalheira.
Quem olha este paulista pensa: mas que sujeito pedante…
Principalmente, se quem tiver observando for baiano

O baiano por sinal tem todo direito de se queixar
Ele adora “falar” de baiano
Que baiano é lento, preguiçoso e de sotaque arrastado
Apesar de ter certeza que não é bem assim

Acreditem:
1 – Ele passou dois anos na Bahia e só foi a praia uma única vez!!!
2 – O mesmo vale para o maior carnaval do mundo
3 –  Conseguiu abandonar a Bahia  por dois anos. Nem ao menos uma visitinha para diminuir a zanga foi feita
4 – Ele ainda chama axé de pagode

Desconfio que apesar dele se declarar um PAULISTA com muito orgulho, ele sonha em ser baiano

Quem consegue minimizar o grau de desconfiança descobre
neste paulista um sujeito humano, justo, leal, sincero e sensível
Tenho certeza que ele vai implicar com o último adjetivo acima…pois, também é um tantinho machista
Mas afirmação é perfeitamente explicável…
Antes de eu dizer qualquer coisa ele já sabe o que se passa

Se a minha pessoa tiver deprimida ele aparece do nada e do
sujeito mais sério deste mundo surge um animador
Não posso esquecer de dizer que ele é brilhante
Pode enviar para o paulista todos os jogos de lógica

Enfim, esse paulista é muito especial
Uma das raras pessoas que fazem você acreditar na amizade entre homens e mulheres
Se você encontrar um amigo assim não deixe ele sumir da sua vida de jeito algum

Eis aqui a minha singela homenagem
Parabéns meu amigo! Que esta data se repita muitas vezes.

Publicado por: Niege Neves | 15/03/2010

Escolhas

Quando o assunto são pessoas as variavéis tornam-se infindavéis.
Tenta-se explicar comportamentos mas, nada de fórmulas exatas.
Tudo é possível.
Tudo é mutável.

O ser foge a razão com uma frequência assustadora.
Não existe limite para mudanças bruscas.
Nem para reações atípicas, exageradas e errôneas.
Tudo é permitido.

A grande questão é, que a conta sempre chega e nem um pensamento
brilhante traz uma solução completa para uma decisão inconsequente.
O que está feito não se apaga. Não se desfaz.

O uso inadequado do livre-arbítrio pode
render ponto de seguimento ou paralisia evolutiva.
Lágrima ou experiência.
Cabe ao ser, exlusivamente, escolher como deseja
encarar as consequências de uma escolha equívocada.

Publicado por: Niege Neves | 12/03/2010

Relações I

Pensando com meus botões sobre as relações humanas cheguei a conclusão que:

Quanto mais distante for sua relação com os outros mais fácil será.
Dificilmente terás problemas com pessoas que você conhece pouco.
Ficará apenas com a imagem e simpatia inicial.
Aprofundar as relações é um risco.
Pode ter um saldo negativo e bem amargo.
Entretanto, conhecer e não conhecer as pessoas
é também a diferença entre viver e sobreviver.

Deseja viver ou apenas sobreviver?

Publicado por: Niege Neves | 22/02/2010

Expectativas

Eis o tempo da reviravolta

Tenho que agradecer aos céus pelos amigos leais que tenho.
Estes não são muitos, apesar da minha teimosia em criar uma mega lista.
Essa teimosia por sinal se aplica a tudo. Tenho uma tendência incontrolável.
Eu conheço. A pessoa sorri e pronto é meu amigo.

O problema é que estes meus amigos especiais são dotados de altas doses
de encanto, fidelidade, sinceridade e ética, só para citar algumas características.
Resultado da convivência com eles?  Tornei-me a exigência andante.
E haja decepção para abarcar!

Por mais que me digam que cada pessoa é única e que ninguém é igual a ninguém.
Minha tendência a agregar valores idênticos a seres distintos permanece inalterada.
Aquele amigo que conheci há pouco tempo deve ser tão fiel quanto
meus amigos especiais. A razão aponta que é uma maldade para com o desconhecido.
E o impulso me induz a expectativa demasiadamente infeliz.

Este é o ciclo vicioso e interminável que reforço todos os dias.
Mas, enfim está na hora da reviravolta.
Hora de ser mais indulgente comigo e com os outros.
Assim quem sabe evitarei lágrimas de desilusões.
E quem sabe, o senso de perfeição imaginário se desfaz.

Publicado por: Niege Neves | 21/02/2010

Carnaval II

Após a folia de 7  só tenho é que renovar minha paixão pela minha terra que, apesar de todas as disparidades sabe despertar alegrias como nenhuma outra. Muitos sorrisos e organização. Para os turistas que costumam acreditar que baiano é preguiçoso, a folia soteropolitana vem provar o contrário. Diante de um público de 2 milhões pessoas multifacetadas é incrível o resultado final. Seja você folião ou não, haverá de sentir orgulho desta terra e deste povo.

Para celebrar o maior carnaval do mundo eis que me permito escrever as linhas abaixo:

Carnaval em Salvador é
Um mundo de cores
Resplandecendo em amores
Energizando corações

Carnaval em Salvador é
Um caldeirão de insensatez, desatino e êxtase
Uma mistura de sons e danças extraordinárias
Uma celebração rítmica , envolvente  e contagiante

Carnaval em Salvador é
Uma multidão de olhos brilhantes
Saciados e incansáveis

Carnaval em Salvador é
Criatividade efervescente
Trabalho apaixonado e apaixonante
É essencialmente alegria viva e flutuante

Publicado por: Niege Neves | 09/02/2010

Carnaval

Viva essa energia…

É tempo de carnaval.
Tempo de relembrar sorrisos rasgados,
leveza e espontaneidade,
Energia que pulsa, ritmo quente, ardente e veloz.
A liberdade parece solta no ar,
A nova ordem é experimentar, respirar, vibrar e energizar.
É tempo de movimento e renovação,
Seja você axezeiro, sambista ou religioso,
Sinta essa energia e reveja sua vida com entusiasmo e
vigor.
Que a alegria solta no ar seja o estímulo necessário,
Que todos enxerguem beleza nos olhos e nas
almas dos amigos, desconhecidos e conhecidos.
Um carnaval colorido e inspirador para todos.

 

Publicado por: Niege Neves | 01/02/2010

Ilusões

O paraíso das ilusões

Como é bom teimar consigo mesma
Recriar situações e criar um “faz de conta”
Apagar da memória mentiras ditas como verdades
Já me disseram que o ser vive muito mais feliz enquanto tem ilusões
As ilusões  fazem-nos acreditar na capacidade integral de valores como fidelidade, amizade e respeito entre os seres
Mas, infelizmente ou felizmente, não é possível se manter nesse estado durante longo período
A nossa mente nos obrigar a enxergar além
Quando acabam as ilusões resta-nos apenas o amargo sabor das imperfeições, das expectativas frustradas e imagens destruídas
Pois, a ilusão tem como efeito colateral e irrecusável a emergência dos fatos em um dado momento
O “faz de conta” é uma arte e por isso exige doses consideráveis de bom humor, imaginação e fuga

Publicado por: Niege Neves | 26/01/2010

Vaidade

Ah, como é díficil descrever e explicar

É tudo uma mistura entre o pessoal e o processual

Um ataque,

Um terror,

O que aconteceu com a amizade e o bom senso?

Essas rotinas nos transformam em fuzileiros de guerra em pleno ambiente de construção

Tudo tão contraditório,

Construções impecáveis, falhas só nos olhos de quem encontra-se ao lado “oposto” desta guerra fria

Não é uma guerra comum, palpável e declarada.

Trata-se de uma guerra silenciosa que não existem vencedores e sim guerrilheiros prontos para defender sua imagem

Pronto, encontramos as melhores palavras para descrever todas as mensagens sinalizadas…falamos então de uma grande guerra de ego/vaidade/orgulho

Qual seriam os instrumentos necessários para combatê-la?

Será que contra-atacar e impor limites é a solução?

Ou será que manter se absorto em um clima reverso já ajudaria?

Como podemos esquecer e ignorar seus efeitos?

Enfim, como é que se acaba com essa guerra? Existe solução?

Se partirmos para religião encontramos respostas…

Os cristãos irão dizer que o ideal é amar ao próximo

Os ateus mandaram utilizar todas as regras deste mundo “invertido” contra o adversário

Os terapeutas te recomendarão a aceitar o inaceitável e conviver com o mundo respeitando suas “diferenças”

Se consultarmos os artistas talvez tenhamos as melhores respostas

Esses dirão para não entrar na paranóia e para vivermos a vida intensamente. Além de mandar colorir tudo que estiver obscuro.

Talvez falte fé, amor, otimismo e paciência para acabar com essa guerra fria, vaidosa e homogênea.

(NN)

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