Sempre me perguntam por qual motivo leio tantos romances. Os romances são uma compulsão.
Continuo incessantemente linhas após linhas…sem párar.
Movida por um encanto.
Todos os desejos e sonhos estão ali naquelas linhas.
Ao meu alcance:
Um amor verdadeiro e inabalável.
O trabalho perfeito.
Amigos fiéis.
A família de propaganda de margarina.
A alegria verdadeira.
A justiça prevalecendo.
Como é bom mergulhar neste universo.
Por uns dias aquele personagem torna a vida mais colorida, mesmo diante dos dramas traçados.
Me sinto viva, otimista e encantada.
Espero por um momento diferente e incrivelmente igual.
Igual por que já tenho todos os fins antes de terminar…sem surpresas,
mas com uma certeza absoluta. A certeza de que tudo ficará bem.
Tudo pode até ser clichê. Com toda a permissão das ilusões conscientes.
O que vejo no mundo fora dos livros? Nada de certezas…muitas dúvidas, injustiças e poucos felizes de verdade.
Vejo também verdade. Alguns momentos até parece uma verdade inventada, sublime e rara.
Lamento ser raro esses momentos. Não tanto, quando observo ser a raridade a sua real virtude.
Isso acontece desde os meus 7 anos. Entro num universo paralelo e me recuso a sair.
Talvez seja esse motivo para continuar me recusando a amadurecer em alguns sentidos, como todos costumam tanto sugerir.
Tenho certeza que minha estimada mestre dos tempos de discussões políticas, de que sempre nutrir uma espécie de idolatria, não me reconheceria ao ler essas palavras.
Parece tão pouco com a imagem que sempre fiz questão de reforçar. Sempre fui a REALISTA.
Admito. Gosto desta bolha imaginária. Gosto das emoções oriundas dos romances das páginas açucaradas.
Este o segredo que só agora me permito falar abertamente.
Muitos dirão que se trata de fuga…mas asseguro que é a melhor da fugas. É uma vida em muitas vidas.
Eis a minha fuga prazerosa e sem riscos*.
Sim, nada como um belo livro para tornar a vida mais amável as nossas vontades. A fantasia sempre se renovará. Facilmente sigo em busca de um novo livro.



